Longevity & AgingArtigo CientíficoAcesso Aberto

Estimulação do Nervo Auricular Não Supera Placebo no Tratamento da Constipação Crônica

Um rigoroso ECR multicêntrico constata que a taVNS a 25 Hz não é superior à estimulação simulada para o alívio da constipação crônica ao longo de 4 semanas.

segunda-feira, 13 de julho de 2026 0 visualização
Publicado em United European Gastroenterol J
Close-up of a small electrode clip attached to the tragus of a human ear, soft clinical lighting, medical device visible.

Resumo

Um ensaio clínico randomizado e multicêntrico realizado em cinco hospitais chineses testou se a estimulação transcutânea do nervo vago auricular (taVNS) — uma técnica não invasiva de neuromodulação baseada na orelha — poderia melhorar a constipação crônica em 106 adultos. Os pacientes receberam taVNS real (estimulação do tragus) ou taVNS simulada (estimulação do lóbulo da orelha) duas vezes ao dia durante 30 minutos ao longo de 4 semanas. O desfecho primário — atingir três ou mais evacuações espontâneas completas por semana — foi alcançado por apenas 17% do grupo taVNS versus 19% do grupo simulado, uma diferença não significativa. O ensaio foi interrompido precocemente após uma análise interina confirmar a futilidade. Não ocorreram eventos adversos graves. Os achados não sustentam o uso do taVNS a 25 Hz como tratamento isolado para constipação crônica.

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Resumo Detalhado

A constipação crônica afeta aproximadamente 15% dos adultos no mundo e engloba a constipação funcional (FC) e a síndrome do intestino irritável com constipação (IBS-C). Os tratamentos padrão — fibras, mudanças no estilo de vida e laxantes — deixam mais de 20% dos pacientes insatisfeitos, e até 40% não respondem aos laxantes. Abordagens não farmacológicas de neuromodulação têm, portanto, despertado interesse crescente, incluindo a estimulação transcutânea auricular do nervo vago (taVNS), que emite pulsos elétricos suaves no ramo auricular do nervo vago na orelha e acredita-se que module a motilidade intestinal, a sensibilidade e a inflamação por meio do eixo cérebro-intestino.

Este ensaio clínico multicêntrico, randomizado e controlado por simulação incluiu 106 pacientes com constipação crônica diagnosticados pelos critérios de Roma IV em cinco hospitais terciários chineses. Os participantes foram randomizados 1:1 para taVNS ativo (trago esquerdo, 25 Hz, largura de pulso de 0,5 ms, 0,5–1,5 mA) ou taVNS simulado (lóbulo da orelha esquerda, parâmetros idênticos). Ambos os grupos realizaram sessões de 30 minutos duas vezes ao dia durante 4 semanas, seguidas de 8 semanas de acompanhamento. O uso de laxantes de resgate foi permitido caso os pacientes não conseguissem evacuar por três ou mais dias consecutivos. O desfecho primário foi a taxa de resposta durante as semanas 1–4, definida como a obtenção de ≥3 evacuações espontâneas completas (CSBMs) por semana sem uso excessivo de medicação de resgate.

O ensaio foi interrompido precocemente após uma análise interina pré-planejada revelar futilidade. Na semana 4, as taxas de resposta foram praticamente idênticas: 17% (9/52) no grupo taVNS versus 19% (10/54) no grupo simulado (RR 0,92, IC 95% 0,30–2,80, p = 1,0). As análises por intenção de tratar e por protocolo confirmaram a ausência de benefício significativo. Os desfechos secundários — incluindo contagens semanais de CSBMs, escores de sintomas PAC-SYM, escores de qualidade de vida PAC-QOL e escores de ansiedade/depressão (SAS/SDS) — também não demonstraram diferenças clinicamente relevantes entre os grupos. Nenhum evento adverso grave foi relatado em nenhum dos grupos.

Esses resultados contrastam com um ECR anterior de menor porte (n=42) que demonstrou benefício do taVNS em pacientes com IBS-C, embora o tamanho menor da amostra e a composição diferente dos pacientes possam explicar a discrepância. Os autores observam que IBS-C e FC, apesar de se sobreporem, diferem nos perfis de sensibilidade intestinal, e a modulação vagal pode ser mais relevante para a IBS-C predominantemente dolorosa do que para a FC predominantemente relacionada à motilidade. Também é possível que os parâmetros específicos utilizados — frequência de 25 Hz, duração de 4 semanas — tenham sido subótimos, ou que o procedimento simulado com o lóbulo da orelha tenha produzido um efeito fisiológico maior do que o esperado.

O estudo está entre as avaliações mais rigorosas do taVNS para sintomas gastrointestinais realizadas até o momento, com delineamento multicêntrico, avaliação cega dos desfechos e regras adequadas de interrupção interina. No entanto, ele não permite descartar que diferentes parâmetros de estimulação, durações de tratamento mais longas ou subtipos específicos de constipação possam responder de forma distinta ao taVNS.

Principais Descobertas

  • taVNS response rate (17%) was statistically identical to sham (19%) after 4 weeks of treatment.
  • Trial was stopped early after interim analysis confirmed lack of efficacy across 106 enrolled patients.
  • No significant improvements seen in bowel movement frequency, symptom scores, or quality of life.
  • Anxiety and depression scores showed no significant between-group differences either.
  • No serious adverse events occurred in either the active or sham stimulation groups.

Metodologia

Ensaio multicêntrico, randomizado e controlado por simulação realizado em cinco hospitais terciários chineses, envolvendo 106 pacientes com constipação crônica diagnosticada pelos critérios Rome IV, randomizados 1:1 para estimulação ativa do tragus ou estimulação simulada do lóbulo da orelha (25 Hz, duas vezes ao dia, 30 min) durante 4 semanas, com seguimento de 8 semanas. O desfecho primário foi a taxa de respondedores de movimentos intestinais espontâneos completos (CSBM) semanais; as análises incluíram as populações ITT e per-protocolo, com análise interina pré-planejada.

Limitações do Estudo

O ensaio foi interrompido precocemente com 106 participantes de uma amostra planejada maior, o que pode ter limitado o poder estatístico para detectar efeitos pequenos. A estimulação simulada do lóbulo da orelha pode não ser verdadeiramente inerte, e o protocolo fixo de 25 Hz pode não refletir os parâmetros ideais de estimulação. O estudo foi conduzido exclusivamente na China, o que limita a generalização dos resultados para outras populações.

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