Longevity & AgingArtigo CientíficoAcesso Aberto

A Deficiência de Ferro Reduz o Desempenho de Resistência em 3–4% em Atletas do Sexo Feminino — Veja a Solução

Uma revisão sistemática de 23 estudos mostra que a deficiência de ferro prejudica significativamente o desempenho de atletas do sexo feminino, e a suplementação direcionada pode revertê-la.

sexta-feira, 15 de maio de 2026 0 visualização
Publicado em J Sport Health Sci
Female distance runner on a track at dusk, mid-stride, with a faint molecular hemoglobin structure overlaid in the background sky.

Resumo

Uma revisão sistemática de 2025 com 23 estudos envolvendo 669 atletas femininas de alto nível constatou que a deficiência de ferro (ferritina sérica <40 µg/L) reduz o desempenho de resistência em 3–4% e pode prejudicar a capacidade aeróbica máxima e a potência anaeróbica. A suplementação com aproximadamente 100 mg de ferro elementar por dia por via oral, ou duas vezes ao dia por injeção durante 8–10 dias, melhorou o desempenho de resistência em 2–20% e elevou o VO2 max em 6–15%. A revisão abrangeu 16 modalidades esportivas e destacou que as reduções de desempenho se agravam conforme a gravidade da deficiência de ferro. A maioria dos estudos foi de qualidade moderada e com grupos de tamanho reduzido, o que exige cautela ao generalizar os resultados para além dos esportes de predominância aeróbica.

Resumo Detalhado

O ferro é essencial para a eritropoiese, o transporte de oxigênio e a produção mitocondrial de energia — todos críticos para o desempenho atlético. No entanto, até 60% das atletas do sexo feminino apresentam deficiência de ferro, em grande parte devido às perdas menstruais de ferro, às altas cargas de treinamento e às inadequações dietéticas. Apesar dessa prevalência, as consequências precisas sobre o desempenho em diferentes modalidades esportivas e estágios de deficiência de ferro têm sido pouco caracterizadas, particularmente em atletas femininas de alto nível.

Esta revisão sistemática pesquisou cinco grandes bases de dados (MEDLINE, SPORTDiscus, Web of Science, Scopus, CINAHL) e identificou 23 estudos elegíveis envolvendo 669 atletas do sexo feminino (média de idade de 22 anos, VO2 max médio de 49,4 mL/kg/min) em 16 modalidades esportivas. Sete estudos examinaram os efeitos da deficiência de ferro no desempenho sem intervenção; 16 estudos avaliaram os resultados da suplementação de ferro. As atletas foram classificadas como deficientes em ferro com base em ferritina sérica <40 µg/L, e eram obrigadas a atender a critérios de treinamento de alto nível (VO2 max >45 mL/kg/min ou >5 h/semana de treinamento). A qualidade dos estudos foi avaliada por meio de uma versão modificada do checklist de Downs e Black.

A deficiência de ferro sem anemia (IDNA) foi associada a reduções de 3–4% no desempenho de endurance e a comprometimentos variáveis no VO2 max. Notavelmente, as reduções no VO2 max pareceram escalar com a gravidade da deficiência de ferro — a IDNA leve apresentou alterações modestas ou nenhuma alteração, enquanto a anemia por deficiência de ferro (IDA) se correlacionou com perdas mais pronunciadas na capacidade aeróbica. A força isocinética e a potência anaeróbica também foram negativamente afetadas em alguns estudos (variando de –23% a +4%), embora os achados tenham sido inconsistentes entre as modalidades.

A suplementação de ferro produziu recuperação significativa. A suplementação oral de 100 mg/dia de ferro elementar por até 56 dias melhorou o desempenho de endurance em 2–20%. O VO2 max melhorou em 6–15% após a administração de 16–100 mg/dia de ferro elementar por 36–126 dias. A suplementação em doses menores (16–60 mg/dia por 42–56 dias) melhorou a eficiência energética, as taxas máximas de trabalho e a dinâmica do lactato sanguíneo. A administração parenteral (intravenosa/intramuscular) de 100 mg duas vezes ao dia por 8–10 dias foi uma alternativa eficaz, particularmente para reposição rápida. Os efeitos sobre a potência anaeróbica com a suplementação foram variáveis (–5% a +9%), reforçando que o papel do ferro além do metabolismo aeróbico é menos previsível.

A revisão apresenta ressalvas importantes. A maioria dos estudos (n=18) tinha grupos com 20 atletas ou menos, o que limita o poder estatístico. A ferritina sérica isolada é um marcador imperfeito do estado do ferro, pois é um reagente de fase aguda elevado pela inflamação. A heterogeneidade dos estudos em relação à dose, duração, via de administração e classificação das atletas na suplementação impediu a realização de uma metanálise. Ainda assim, o sinal consistente observado em estudos diversos sustenta uma ação clínica: atletas femininas de alto nível com deficiência de ferro devem buscar avaliação de um médico especialista em medicina esportiva ou nutricionista, com suplementação ajustada ao estágio da deficiência, às demandas da modalidade esportiva e à conformidade com as normas antidoping.

Principais Descobertas

  • Iron deficiency reduces endurance performance by 3–4% in high-level female athletes.
  • Oral supplementation of ~100 mg/day elemental iron for up to 56 days improved endurance by 2–20%.
  • VO2max improved by 6–15% with iron supplementation of 16–100 mg/day over 36–126 days.
  • Isokinetic strength and anaerobic power were inconsistently affected, ranging from –23% to +4%.
  • Performance decrements track with iron deficiency severity — anemic athletes show the greatest impairment.

Metodologia

Revisão sistemática (PRISMA) de 23 estudos provenientes de 5 bases de dados; incluiu atletas femininas de alto nível (VO2 max >45 mL/kg/min ou >5 h/semana de treinamento) com ferritina sérica <40 µg/L. A qualidade foi avaliada por meio de uma versão modificada do checklist de Downs and Black (21 itens); a meta-análise foi inviabilizada pela alta heterogeneidade metodológica.

Limitações do Estudo

A maioria dos estudos apresentou amostras pequenas (≤20 atletas), limitando o poder estatístico para detectar efeitos significativos. A ferritina sérica como único biomarcador de deficiência de ferro é suscetível à inflamação induzida pelo exercício, gerando variabilidade diária. A alta heterogeneidade entre os protocolos de suplementação, tipos de esporte e sistemas de classificação de atletas impediu a realização de uma meta-análise combinada.

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