Longevity & AgingArtigo CientíficoAcesso Aberto

Grande Estudo Mostra que Mistura de Budesonide com Surfactante Falha em Prevenir Doença Pulmonar em Prematuros

Grande estudo com 641 bebês extremamente prematuros não encontra benefício na adição de esteroide ao tratamento com surfactante para prevenção de doença pulmonar crônica.

segunda-feira, 6 de abril de 2026 0 visualização
Publicado em JAMA
Microscopic view of premature infant lung tissue with surfactant molecules coating delicate alveolar structures in soft pink and blue tones

Resumo

Um grande ensaio clínico randomizado testou se a adição do esteroide budesonida ao tratamento com surfactante poderia prevenir a displasia broncopulmonar (DBP), uma doença pulmonar crônica grave, em bebês extremamente prematuros. O estudo recrutou 641 lactentes nascidos entre 22 e 28 semanas de gestação em 17 centros médicos dos Estados Unidos. Os resultados não mostraram diferença nas taxas de DBP ou morte entre os bebês que receberam budesonida associada ao surfactante (68,5%) e os que receberam apenas surfactante (67,9%). O ensaio foi interrompido precocemente quando uma análise interina indicou que o tratamento provavelmente não traria benefícios. Isso contradiz estudos anteriores de menor porte que sugeriam que a combinação poderia ser benéfica.

Resumo Detalhado

A displasia broncopulmonar (BPD) é uma doença pulmonar crônica devastadora que afeta bebês extremamente prematuros, causando problemas respiratórios de longo prazo e aumento da mortalidade. Estudos menores anteriores sugeriram que a combinação do esteroide anti-inflamatório budesonida com surfactante poderia reduzir o risco de BPD em comparação ao surfactante isolado.

Este importante ensaio clínico randomizado e controlado, conduzido em 17 centros da Rede de Pesquisa Neonatal dos EUA (US Neonatal Research Network), testou se a administração intratraqueal precoce de budesonida (0.25 mg/kg) misturada ao surfactante poderia prevenir BPD ou morte até 36 semanas de idade pós-menstrual em bebês extremamente prematuros. O estudo recrutou bebês nascidos entre 22 e 28 semanas de gestação ou com peso entre 401 e 1000 grams que necessitaram de tratamento com surfactante nas primeiras 50 horas de vida.

O ensaio foi planejado para recrutar 1.160 bebês, mas foi interrompido precocemente após a inclusão de 641 bebês (55% do recrutamento planejado), quando a análise interina atingiu os critérios de futilidade pré-especificados. O desfecho primário — BPD ou morte até 36 semanas — ocorreu em 68,5% dos bebês que receberam budesonida mais surfactante, em comparação a 67,9% dos que receberam apenas surfactante, sem diferença clinicamente relevante (risco relativo ajustado de 1,00; IC 95% 0,90–1,11).

As análises secundárias não revelaram diferenças nas taxas de mortalidade (15,3% vs. 13,2%) nem na ocorrência de BPD entre os sobreviventes (62,9% vs. 63,0%). Contudo, os bebês que receberam budesonida apresentaram significativamente mais hiperglicemia (66,7% vs. 49,8%), um efeito colateral preocupante que pode impactar o desenvolvimento cerebral e outros desfechos.

Esses achados contradizem vários ensaios menores anteriores e destacam a importância de estudos de grande porte com poder estatístico adequado antes da adoção de novos tratamentos. Os resultados sugerem que essa abordagem específica para a prevenção de BPD em bebês extremamente prematuros não é eficaz e pode causar danos por meio do aumento dos níveis de glicose no sangue.

Principais Descobertas

  • No reduction in bronchopulmonary dysplasia or death with budesonide-surfactant combination (68.5% vs 67.9%)
  • Trial stopped early after enrolling 641 of planned 1,160 infants due to futility
  • Significantly increased hyperglycemia risk in budesonide group (66.7% vs 49.8%)
  • No differences in mortality or BPD rates among survivors at 36 weeks
  • Results contradict smaller previous studies suggesting benefit from steroid-surfactant combination

Metodologia

Ensaio clínico randomizado duplo-cego realizado em 17 centros da US Neonatal Research Network entre abril de 2021 e junho de 2024. Recém-nascidos de 22 a 28 semanas de gestação receberam budesonida (0,25 mg/kg) misturada ao surfactante ou somente surfactante por meio de tubo endotraqueal nas primeiras 50 horas de vida.

Limitações do Estudo

O estudo foi interrompido precocemente com 55% do recrutamento concluído, o que pode limitar a generalização dos resultados. O estudo utilizou uma dose e um momento de administração específicos de budesonide que podem não refletir todos os protocolos de tratamento possíveis. Os desfechos do neurodesenvolvimento a longo prazo não foram avaliados nesta análise.

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