Metformina Não Melhora a Capacidade de Caminhada em Pacientes com DAP Sem Diabetes
Um ECR de 6 meses com 202 pacientes com DAP constatou que a metformina não ofereceu benefício algum em relação ao placebo na distância de caminhada ou em qualquer desfecho secundário.
Resumo
O estudo PERMET randomizou 202 adultos com doença arterial periférica (DAP) de membros inferiores, mas sem diabetes, para receber metformina ou placebo por 6 meses. O desfecho primário — variação na distância percorrida em 6 minutos — mostrou declínio praticamente idêntico nos dois grupos (metformina: −5,4 m; placebo: −5,3 m), com uma diferença ajustada entre os grupos de apenas 1,1 m. Nenhum desfecho secundário, incluindo tempo de caminhada na esteira, pontuações no Walking Impairment Questionnaire, capacidade física funcional ou dilatação mediada por fluxo da artéria braquial, demonstrou melhora significativa com metformina. Os achados não sustentam o uso de metformina para melhorar o desempenho na caminhada em pacientes com DAP sem diabetes.
Resumo Detalhado
A doença arterial periférica (DAP) é uma condição cardiovascular comum e incapacitante que afeta milhões de adultos, caracterizada pela obstrução aterosclerótica das artérias dos membros inferiores, levando ao comprometimento da capacidade de caminhada e à redução da qualidade de vida. Apesar de sua prevalência, poucas terapias farmacológicas demonstraram eficácia na melhora do desempenho funcional de caminhada em pacientes com DAP. A metformina, um medicamento biguanida amplamente disponível e de baixo custo, havia surgido como candidata em razão de seus efeitos biológicos pleiotrópicos — incluindo a ativação da proteína quinase ativada por AMP (AMPK), a redução do estresse oxidativo e a estimulação da óxido nítrico sintase endotelial (eNOS) — mecanismos que, teoricamente, poderiam melhorar o metabolismo do músculo esquelético e a função vascular em membros isquêmicos.
O estudo PERMET foi um ensaio clínico randomizado multicêntrico, duplo-cego e controlado por placebo, conduzido em 4 centros nos Estados Unidos. O período de recrutamento foi de maio de 2017 a fevereiro de 2025, com 202 dos 212 participantes previstos incluídos (95%), limitado por restrições de financiamento. Os participantes elegíveis eram adultos com 50 anos ou mais, com DAP confirmada e sem diabetes. Eles foram randomizados para metformina (n = 97) ou placebo equivalente (n = 105) por 6 meses. A média de idade foi de 69,6 anos, 28% eram mulheres e 39% eram negros. O acompanhamento foi concluído em agosto de 2025, com 89% (179 de 202) completando a avaliação de 6 meses.
O desfecho primário — variação na distância percorrida em 6 minutos da linha de base aos 6 meses — não mostrou diferença significativa entre os grupos. Ambos os grupos apresentaram declínio modesto: o grupo metformina foi de 358,6 m para 353,2 m (−5,4 m) e o grupo placebo de 359,8 m para 354,5 m (−5,3 m), resultando em uma diferença ajustada entre os grupos de 1,1 m (IC 95%, −16,3 a 18,6 m; P = 0,90). Esse valor ficou muito abaixo da diferença mínima clinicamente importante de 8 a 20 m. Todos os desfechos secundários pré-especificados — tempo máximo de caminhada na esteira e tempo sem dor, escores de distância e velocidade do Walking Impairment Questionnaire, funcionamento físico pelo SF-36 e dilatação mediada por fluxo da artéria braquial — também não apresentaram benefício significativo com a metformina.
Os eventos adversos foram, em geral, compatíveis com o perfil conhecido da metformina. Eventos adversos graves foram incomuns e semelhantes entre os grupos (eventos cardiovasculares: 3,1% no grupo metformina vs. 1,9% no grupo placebo). A diferença mais notável nos eventos adversos não graves foi de natureza gastrointestinal: indigestão ou desconforto estomacal ocorreu em 64,9% dos participantes do grupo metformina versus 40,6% do grupo placebo. Cefaleia foi ligeiramente mais comum no grupo placebo (49,5% vs. 37,2%).
Esses resultados têm implicações clínicas e de pesquisa relevantes. Apesar da justificativa biológica para o potencial benefício da metformina na DAP — particularmente seus efeitos de ativação da AMPK e antioxidativos —, o estudo não encontrou benefício funcional em 6 meses em uma população com DAP sem diabetes. O estudo teve poder estatístico ligeiramente inferior ao ideal devido ao encerramento antecipado (202 vs. 212 previstos), mas a diferença praticamente nula entre os grupos torna improvável um benefício clinicamente relevante. Pesquisadores e clínicos devem buscar outras estratégias terapêuticas, como exercício supervisionado, abordagens de terapia gênica ou outros agentes farmacológicos, para melhorar o desempenho de caminhada na DAP.
Principais Descobertas
- 6-minute walk distance declined similarly in both groups: −5.4 m (metformin) vs. −5.3 m (placebo), adjusted difference 1.1 m (P = .90).
- No significant metformin benefit was found across any of 6 secondary outcomes including treadmill walking time and quality-of-life scores.
- Gastrointestinal side effects were notably more common with metformin (64.9% vs. 40.6% for indigestion/upset).
- 89% of participants completed 6-month follow-up; the trial enrolled 95% of its target sample across 4 US sites.
- Findings do not support metformin as a therapy to improve functional walking ability in non-diabetic PAD patients.
Metodologia
Ensaio clínico randomizado duplo-cego, controlado por placebo, realizado em 4 centros nos EUA, com 202 adultos com idade ≥50 anos portadores de DAP (doença arterial periférica) e sem diabetes, randomizados para metformin ou placebo por 6 meses. O desfecho primário foi a variação na distância percorrida em 6 minutos; os desfechos secundários incluíram testes em esteira, escores de caminhada relatados pelos pacientes, SF-36 e função vascular. A análise foi ajustada para o centro e os valores basais dos desfechos.
Limitações do Estudo
O ensaio inscreveu 202 dos 212 participantes planejados devido a limitações de financiamento, reduzindo ligeiramente o poder estatístico, embora o tamanho de efeito próximo de zero torne improvável que algum benefício tenha passado despercebido. O acompanhamento de 6 meses pode ser insuficiente para detectar benefícios de longo prazo da metformina no remodelamento vascular ou musculoesquelético. O estudo excluiu pessoas com diabetes, limitando a generalização para essa subpopulação.
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