Suplementos de Proteína Aumentam a Resistência no Endurance, Mas Não Reduzem Sua Cintura
Uma meta-análise de 23 ensaios clínicos constata que a suplementação de proteína prolonga significativamente o tempo até a exaustão durante o treinamento de resistência, mas não produz efeitos relevantes sobre a gordura corporal ou o VO2 max.
Resumo
Uma revisão sistemática e meta-análise de 2025, envolvendo 23 ensaios clínicos randomizados (1.146 participantes), examinou a suplementação de proteínas durante o treinamento de resistência aeróbica. A principal descoberta: a proteína melhorou significativamente o tempo até a exaustão (SMD=0,45), um benefício relevante para o desempenho aeróbico. A massa corporal magra apresentou uma tendência discreta de aumento, porém sem significância estatística (SMD=0,13). Por outro lado, a suplementação de proteínas não alterou significativamente o peso corporal, o percentual de gordura corporal ou a capacidade aeróbica geral (VO2 max). A análise de subgrupos sugeriu que indivíduos não treinados podem obter maior benefício no VO2 max em comparação com atletas treinados. Os resultados destacam o papel da proteína na manutenção do esforço aeróbico prolongado, em vez de promover alterações na composição corporal durante programas de treinamento com foco aeróbico.
Resumo Detalhado
A suplementação de proteínas é bem estabelecida para o treinamento de resistência muscular, mas seu papel nos esportes de endurance tem sido menos claro. Esta meta-análise de 2025 da Wuhan Sports University buscou resolver essa ambiguidade ao reunir dados de 23 ensaios clínicos randomizados controlados cobrindo 1.146 adultos saudáveis com idades entre 18 e 65 anos, com estudos extraídos das bases de dados Web of Science, PubMed e SPORTDiscus até abril de 2025.
A descoberta mais marcante é uma melhora estatisticamente significativa no tempo até a exaustão (TTE) — a capacidade de sustentar o exercício até a falha — com uma diferença média padronizada (SMD) de 0,45 (IC 95%: 0,15–0,76, p<0,01). Este é um tamanho de efeito moderado e clinicamente relevante para atletas de endurance que precisam sustentar esforços de alta intensidade. O mecanismo provável envolve a proteína reduzindo o catabolismo muscular e sustentando a disponibilidade de aminoácidos de cadeia ramificada durante o exercício prolongado, o que pode representar até 6% do gasto energético total em sessões com duração superior a duas horas.
A massa corporal magra apresentou uma pequena tendência positiva (SMD=0,13, IC 95%: −0,01 a 0,28, p=0,07) que ficou pouco abaixo da significância estatística. Isso é biologicamente plausível — o treinamento de endurance isolado produz hipertrofia muscular mínima, de modo que o sinal anabólico das proteínas é modesto. O peso corporal e o percentual de gordura corporal não foram alterados significativamente, sugerindo que a suplementação proteica não promove perda de gordura nem ganho de peso indesejado nesse contexto.
O VO2max, o padrão ouro da capacidade aeróbica, não apresentou melhora significativa de forma geral. No entanto, uma análise de subgrupo revelou que indivíduos não treinados podem obter maior benefício no VO2max (SMD=0,21) em comparação com atletas treinados, que provavelmente têm menos espaço para melhora aeróbica. Medidas de capacidade anaeróbica também não mostraram mudanças significativas com a suplementação proteica.
Os autores observam que esta revisão atualiza e amplia uma meta-análise de 2020 de Lin et al., que havia concluído que a proteína melhorava a capacidade aeróbica e a massa magra. A análise atual, incorporando ensaios mais recentes e análises de moderadores por subgrupos conforme status de treinamento, sexo e tipo de proteína, apresenta um quadro mais matizado. O tipo de proteína (por exemplo, whey versus outras fontes) e o momento de ingestão não foram reportados de forma consistente entre os ensaios, limitando orientações definitivas sobre protocolos ideais. Os autores recomendam que pesquisas futuras esclareçam os hábitos de ingestão proteica, explorem populações com doenças crônicas, ampliem os tamanhos de amostra e considerem os efeitos da co-ingestão de carboidratos.
Principais Descobertas
- Protein supplementation significantly improved time to exhaustion during endurance exercise (SMD=0.45, p<0.01).
- Lean body mass showed a small, non-significant positive trend (SMD=0.13) with protein supplementation.
- No significant effects on body weight, body fat percentage, or overall VO2max were observed.
- Untrained individuals may experience greater VO2max gains from protein supplementation than trained athletes (SMD=0.21).
- Aerobic and anaerobic capacity measures were not significantly changed by protein supplementation.
Metodologia
Revisão sistemática e meta-análise de 23 ensaios clínicos randomizados controlados (1.146 participantes) utilizando um modelo de efeitos aleatórios com estimativa de heterogeneidade REML; tamanhos de efeito reportados como diferenças médias padronizadas (SMD). Análises de subgrupos e meta-regressão exploraram variáveis moderadoras, incluindo status de treinamento, sexo e tipo de proteína. As diretrizes PRISMA 2020 foram seguidas; pré-registrado no PROSPERO (CRD420251034453).
Limitações do Estudo
Apenas 23 estudos foram incluídos, com considerável variabilidade no tipo, na dose e no momento de ingestão da proteína entre os estudos, o que limita recomendações precisas de dosagem. A revisão foi restrita a adultos saudáveis entre 18 e 65 anos, portanto os resultados podem não se aplicar a adultos mais velhos, populações clínicas ou atletas de elite. O viés de publicação e o registro incompleto da distribuição de proteínas ao longo do dia foram limitações adicionais reconhecidas pelos autores.
Gostou deste resumo?
Receba as pesquisas de longevidade mais recentes na sua caixa de entrada toda semana.
Digite seu e-mail para assinar:
