Longevity & AgingArtigo CientíficoAcesso Aberto

Mulheres em Otorrinolaringologia Enfrentam Disparidades de Gênero Generalizadas em Diversas Áreas da Carreira

Uma revisão abrangente revela inequidades significativas em representação, liderança, assédio e planejamento familiar para cirurgiãs otorrinolaringologistas.

domingo, 12 de abril de 2026 0 visualização
Publicado em Laryngoscope
Professional female surgeon in scrubs examining medical charts in a modern hospital setting, with diverse medical team in background

Resumo

Uma revisão de escopo abrangente de 97 estudos revela disparidades de gênero generalizadas que afetam mulheres na otorrinolaringologia (cirurgia de cabeça e pescoço). As mulheres permanecem significativamente sub-representadas, correspondendo a apenas 14,5–37% dos otorrinolaringologistas em exercício, apesar de representarem mais de 50% dos estudantes de medicina. A análise identificou iniquidades sistemáticas em quatro domínios principais: representação profissional, oportunidades de bolsas e liderança, discriminação e assédio no ambiente de trabalho, e desafios relacionados à gravidez e à parentalidade. Esses achados destacam a necessidade urgente de mudanças institucionais e sistêmicas para enfrentar as barreiras de gênero nas especialidades cirúrgicas.

Resumo Detalhado

Esta revisão de escopo landmark analisou sistematicamente as experiências de mulheres na otorrinolaringologia (cirurgia ORL), sintetizando dados de 97 estudos em múltiplos países para revelar disparidades de gênero generalizadas que persistem ao longo de toda a formação médica e da prática clínica.

A equipe de pesquisa realizou uma busca abrangente em cinco grandes bases de dados, examinando estudos que descreviam as experiências de cirurgiãs e residentes de ORL do sexo feminino. A análise revelou padrões preocupantes de desigualdade em quatro domínios críticos que afetam a carreira e o bem-estar das mulheres nessa especialidade cirúrgica.

A descoberta mais marcante foi a sub-representação persistente de mulheres na cirurgia ORL. Embora as mulheres correspondam a 50,5–59% dos estudantes de medicina, elas representam apenas 14,5–37% das cirurgiãs ORL em atividade no mundo. Essa disparidade vai além dos números e abrange funções de liderança, produtividade em pesquisa e oportunidades de progressão acadêmica, áreas em que as mulheres consistentemente ficam atrás de seus colegas do sexo masculino.

Talvez ainda mais preocupantes tenham sido os achados relacionados à cultura do ambiente de trabalho. Cirurgiãs e residentes de ORL do sexo feminino relataram taxas significativamente mais altas de discriminação e assédio em comparação aos homens, criando ambientes de trabalho hostis que podem contribuir para os problemas de retenção na especialidade. Essas experiências foram documentadas em múltiplos países e contextos de prática clínica.

A revisão também destacou desafios únicos relacionados à gravidez e à parentalidade. As mulheres descreveram dificuldades substanciais com planejamento familiar, acomodações durante a gravidez e suporte para amamentação. Muitas relataram que a gravidez e a criação dos filhos eram vistas como obstáculos à progressão na carreira, forçando escolhas difíceis entre crescimento profissional e vida familiar.

Esses achados têm implicações profundas para o futuro da cirurgia ORL e para o cuidado ao paciente. Pesquisas anteriores sugerem que pacientes tratados por cirurgiãs do sexo feminino podem ter melhores desfechos, tornando a sub-representação das mulheres uma potencial questão de segurança do paciente. As disparidades documentadas também representam um desperdício significativo de talento humano e expertise em uma especialidade médica de importância crítica.

Principais Descobertas

  • Women comprise only 14.5-37% of practicing ENT surgeons despite being 50%+ of medical students
  • Female ENT surgeons report significantly higher rates of workplace discrimination and harassment
  • Women face substantial barriers in research productivity and leadership advancement
  • Pregnancy and parenthood create major career obstacles with inadequate institutional support
  • Gender disparities persist across multiple countries and practice settings

Metodologia

Revisão de escopo de 97 estudos extraídos de cinco grandes bases de dados (MEDLINE, EMBASE, CENTRAL, Scopus, CINAHL) abrangendo experiências de cirurgiãs e residentes do sexo feminino em otorrinolaringologia. Utilizou o framework de Thomas & Harden para análise temática, com avaliação de qualidade por meio das ferramentas do Joanna Briggs Institute.

Limitações do Estudo

A maioria dos estudos era transversal e observacional, o que limita inferências causais. O viés geográfico em direção a estudos norte-americanos pode limitar a generalização global dos resultados. A avaliação de qualidade encontrou apenas evidências de qualidade moderada entre os estudos incluídos.

Gostou deste resumo?

Receba as pesquisas de longevidade mais recentes na sua caixa de entrada toda semana.

Digite seu e-mail para assinar: